1.8.04

Fukuyama e os Nós Outros

Domingo é dia de Caderno +, na Folha de São Paulo. O de hoje traz uma crítica ácida deste tal Fukuyama - o sujeito que disse que, com a evolução do capitalismo, a história havia acabado. Esta sumidade cuida de detratar, sem muitos argumentos, a tese de Hart e Negri, que defendem a necessidade de empreender uma mudança conceitual, inserindo um protagonista que eles chamam de multidão.
A multidão deles não é a turba que nos vem à mente; é um conjunto sim, mas composto de múltiplas especificidades. Identidades, gostos, culturas até. No fundo, defendem que a globalização deve aprofundar-se, não a das multinacionais e do FMI, mas a da troca entre os povos e os indivíduos. Trazem um novo papel - de novo a palavra protagonista - para o indivíduo, dispensam a tradicional defesa nacionalista da cultura e dos produtos para abraçar um novo ideal de troca, de integração. Eu adicionaria: de integração emocional também.
Em outros termos, não é outra coisa que se faz nestes blogues. Permitir que nós - são paulo, rio, recife, porto alegre - possamos discutir e nos gostar (e, por conseguinte, desgostarmo-nos). Bem ao gosto de Hard/Negri. Uma rede, mais uma entre tantas que podemos criar para sustentar uma perspectiva mais humana e menos monetarista para nosso futuro.

Um comentário:

Martha O. de Barros disse...

Pedro, é uma pena que os jornais do Rio fiquem tanto a desejar no que tange às análises sociológicas. Fiquei muito curiosa sobre o tal artigo. Você pode me conseguir uma cópia?