29.11.04

Meus Queridos Amigos

Estive acompanhando os posts que comentam o "Pesados, Vocês..." da Matha. Acho que tudo isso tem a nossa cara: uma malta de gente diferente, com opinião, informação e sensibilidade. Me orgulho de estar aqui.
Acho inclusive que nossa reunião resume muito o espírito da Tribo, de associar poesia e quotidiano. Por mim, o caminho é este mesmo.
Meu beijo a todos.

24.11.04

72 kgs de Puro Carinho

Querida Martha, queridos Jorge e Pedro: sinto-me muito à vontade pra palpitar neste assunto porque não me incluo entre "os de esquerda" que a Martha acusa de pesados. Não consigo ver na atitude de Martha uma alienação: vejo a multiplicidade de pessoas que somos, e sua riqueza.
Pretendo continuar disponibilizando meus setenta e dois kilos de atenção e carinho por esta roda tão diversa, e continuarei a dar as boas vindas para os que protestam e para os que protestam contra aqueles que protestam.

23.11.04

Pesados Também, Mas Não Só

O post da Martha do dia 20 já incomodou o Jorge, e devo confessar que me causou desconforto. Talvez por comungar com Martha do gosto pela poesia e pelo bom texto, sinto-me particularmente tocado pela sua queixa quanto ao conteúdo dos textos do blog.
Vou resumir minhas conclusões: o peso é parte, Martha. E aí tem uma certa sabedoria: a dor é incontornável, mas o sofrimento é opcional, já disseram. O peso que vivemos - a repressão, a crise econômica e humana, a falta de parâmetros éticos - deve ser abordado, discutido, denunciado com certeza. Mas considero-me alerta, a partir de agora, pra não exagerar neste "cacoete reinvindicatório", nesta mania de reclamar e denunciar que faça parecer que a vida se resume nisso.
Ou seja, ao peso o que é do peso. Mas não mais que isso, por gentileza.

Naum Entendi

Ó não entendi a chamada da Marta. Como é que a gente pode estar pesado com tanta merda rolando em volta? eu acho é que a gente não tá morto e deu pra bola. Sei que voce marta gosta de poesia das coisas bonitas e tal. Mas as coisas tão rolando e eu acho legal falar delas porque é onde nossa vida acontece.

20.11.04

Pesados, vocês, hein??

Então Jane e Gastón, finalmente de acordo. Concordando uma com o outro na reinvindicação, é claro, no protesto.
Eu olho para a minha cidade-luz e penso de onde vem este rancor todo, esta amargura que vocês destilam nos textos. E o amor, a sensualidade, a amizade? E a beleza? Tem que ser o tempo todo assim, reclamando?
Convido meus pares a uma certa leveza. Sei que vão me chamar alienada, vão remoer chavões de esquerda contra mim.
Não tem importância. Eu estou bem. E fico com a beleza.


18.11.04

É Duro Concordar com o Gastón

Deixando a ironia de lado - não consigo ser irônica com estas desgraças - é preciso concordar com o companheiro Gastón. Este aumento de juros é uma porretada.
Como militante do PT, eu me envergonho desta abordagem, desta lógica, deste percurso. Vão dizer que sou radical, sou mesmo, e também sou assalariada. E também tenho amigos desempregados. E também uso o sistema público de saúde.
E sei que a grana que podia ajudar tudo isto tá indo pros juros dos banqueiros.
Todos não estão - definitivamente - bem.
Só alguns.

Nós Não Vamos Pagar Nada

AH, que bacaninha! Aumentaram os juros pra não deixar a inflação sair da meta (deles!!). Quiéquitem se a gente fica na merda mais um ou dois aninhos, certo? Tamos acostumados mesmo...
O engraçado é que eles aumentam os juros da própria dívida do governo. Este aumentinho merreca, de 0,5 %, vai comer 5 bilhões de reais. Certamente mais do que usaram até agora nos seus programas-esmola.
Tem importância não. Como diz o faxineiro, estão todos bem.

14.11.04

De Noite Na Cama...

Nosso amor teve várias fases: a primeira, foi árdua - eu deitada na cama de casal, ela na sala. Atravessávamos a noite em branco, doidos para que aquela parede estúpida caísse, e a gente pudesse experimentar o que o coração estava propondo - dividir beijos e depois o sono. Mas... primeiro, ela precisou derrubar minha parede interna - a velha mania de não se entregar.
Passamos então, para a etapa dois: muito beijo, língua, perna, mão, nuca, cheiro, e claro, sono algum. A cama ficava de cenário, para o sono que não acontecia. E acredito que ali, a parede ruiu - dispensei o sofá da sala e permiti que ela dormisse ao meu lado, com um tesão que não concebia descanso.
Fase três: descobrimos sem querer, que a gente podia dormir e acordar. No dia seguinte, ela estaria ali, e vice-versa. Foi então, a fase mais chata - a gente custou a encontrar uma posição confortável.
DORMIR JUNTO É FEITO SEXO - VOCÊ PRECISA SE ACOSTUMAR COM A IDÉIA DE QUE NEM TODA POSIÇÃO É CONFORTÁVEL.
Tentamos tudo! Ela no meu braço, eu no braço dela. Eu no peito dela, um pouco para cima, um pouco para baixo, um pouco para o lado... Teu braço dormiu? Estou pesada? Vira. Coloca a perna aqui, ó. Está bom assim? Consegue dormir?
Até que um dia, não teve jeito: só consigo dormir de barriga para baixo. Desculpe.
Descobrimos então, a fórmula - era preciso que eu deitasse no ombro, do lado direito, e segurasse no calção dela. Juro por Deus! Ficava ali, deitadinha, quieta, até a respiração dele acalmar a loucura do meu dia, depois, a gente se beijava, eu virava para a esquerda, colocava o travesseiro no meio da perna, e adormecia.
E assim, descobrimos juntos o óbvio - é preciso respeitar o momento das coisas, dividir verdades, ainda que dormir de barriga para baixo com travesseiro no meio da perna seja uma delas. Descobrimos, na cama, que a gente pode estar ao lado, sem estar junto todo o tempo. E no fundo, sempre nos permitimos espaços.
Gostar não é ocupar a cama toda, é respeitar o vão que fica no meio. Nunca tivemos receio dos vãos - era só virar para a direita, que a respiração estava ali, para acalmar insônias, ou contar uma história às duas da manhã quando as preocupações nos consumiam. Estar dentro de um relacionamento, é acima de tudo, respeitar o travesseiro no meio da perna...


Obs: Sempre me perguntei como papai e mamãe conseguem dormir abraçadinhos há trinta anos. Um dia, ela me confessou: Muito treino, minha filha, muito treino.
Começo a suspeitar que relacionamentos exigem treinos constantes, né não?

Fomos Ali e Já Voltamos

Não no sentido de “voltamos já, já”, mas no de “já voltamos”, mesmo, estamos aqui. Uma conjunção de fatores – as eleições, o final do período nas universidades, a “safra” da Tribo – nos deixaram fora do ar por umas semanas.
Mas estão todos bem. Em nossos melhos particulares, trocamos o indispensável para continuarmos atentos. Dos últimos posts pra cá, pouco mudou: Arafat morreu, o PT tomou uma coça em Porto e Sampa, Bush foi reeleito. Tem problema não. Estão todos bem.
E voltamos a digitar nossas arrojadas linhas neste espaço. Ainda com algumas falhas, que ninguém ainda se livrou totalmente de seus enroscos. Mas com maior freqüência.
Bem vindo ao Triboblog!