31.8.04

Gaston Mata 5 e Dá Pau na Virgínia!!



Deu no New York Times: meu xará abafou a Virgínia.
Meu xará, no caso, o furacão Gaston, que arrasou o estado de Virgínia, deixando 5 vítimas fatais.
Não é que eu me orgulhe destas mortes. Mas durante a convenção republicana, em que todo mundo fica puxando o saco do Bush, é legal saber que tem um gaston causando problemas.

27.8.04

Todo Mundo Tem Razão (Menos Eu)

Já entendi que o clima é de indignação.
Só lembrando: não vamos mudar (ou conhecer, tá, Fred?) coisa alguma sem uma boa dose de bom humor.
E nem me venham (ouviu, Jane) com patrulhas.
Poesia na vida, senão não tem saída.

O homem é um animal
com sumidouro.
Com sumiu as florestas,
os bichos e o ouro.
Logo com sumirá
com sigo mesmo
e com os besouros.

Chico Guil

Sei Lá, Mil Coisas

O Fred quando quer abafa. Olha só o textículo dele aí embaixo: que ousaria contra argumentar?
Não tenho esta pretensão.
Só quero registrar uma coisa: fossem mendigos, esquizofrênicos, veados, putas, nordestinos ou executivos do macdonalds, isto de matar com marreta me dá vontade de vomitar.
Isto - este ovo da serpente - é que resplandece sólido, aqui, longe de nossos diletantismos.
Isto é que não pode continuar.

26.8.04

E se não for nada disso?

Tenho acompanhado a indignação de Gastón e Jorge pelos homicídios brutais que aconteceram em S. Paulo. Antes de prosseguir, deixo claro que partilho desta indignação.
Quero, no entanto, oferecer outro ângulo para vermos o problema. O assassinato não admite outra atitude senão a condenação e a repressão. Mas noto que nos textos de Gastón e Jorge existe uma visão específica de quem são os moradores de rua (este jeito eufemístico de dizer mendigos...).
Gastón fala de socialismo, como se um crime de ódio destes fosse evitável em outra ordem social. Jorge diz que todo trabalhador pobre está a um passo de ser um mendigo, se perder o emprego.
Eu conheço vocês já faz tempo, então peço que desarmem seus espíritos para o que virá a seguir.
O que a esquerda pratica é um culto à mudança, uma mudança macro pra "algo melhor" (foi o que o Lula nos vendeu, não foi?), que nos livraria de grande parte de nosso sofrimento. O que realmente somos, nosso comportamento, mudaria a reboque destas grandes mudanças estruturais (o fim da fome, por exemplo).
A palavra chave, para a esquerda, é mudança. Eu sugiro outra: conhecimento. Mudança já é a dinâmica da natureza. O que nós, como humanos podemos fazer, frente a ela, é aprofundar nosso conhecimento sobre nós mesmos e sobre estes fluxos naturais de mudança. Muita coisa pode nos parecer injusta, absurda, cruel... e fazer sentido dentro de sua própria dinâmica.
Os moradores de rua, por exemplo. Ou os esquizofrênicos. Não, o Jorge está redondamente enganado se pensa que um trabalhador, só pq é pobre, está à beira de ser um mendigo. Ser mendigo é ter perdido algo muito anterior ao trabalho e ao dinheiro: muitos deles são pessoas que, por um desgosto na vida, abandonaram posições sociais relativamente altas. Para se chegar à mendicância ou à esquizofrenia passa-se por uma lenta construção - será desconstrução? - da personalidade, das condições emocionais da vida das pessoas.
O mendigo sofre da alma. Suicidou-se socialmente. Ele não tem um problema que possa ser circunscrito ao econômico. E, em muitos casos, ele escolheu esta condição. Exatamente como um suicida faz: pode não fazer sentido para nós, mas faz pra eles. E é esse sentido que importa pra eles.
Então, pra não me alongar, fico com vocês na indignação pela violência, pela barbárie, pela estupidez. E sugiro este atalho: uma visão menos reducionista das pessoas, de todas as diferentes histórias, a quem se convencionou chamar de "moradores de rua" e "mendigos".


Nem todo aquele que pede é pobre...

25.8.04

Eles que se fodam

Isto que o gastón escreveu me deixou muito puto. Não porque ele escreveu e sim porque é uma baixaria.
Estou cansado de ver quem não tem nada se ferrar. Qualquer trabalhador pai de família tá a um passo de ser mendigo se for despedido. E aí vem essa gente escrota pisando emcima.
Ó, galera, desculpa, mas esta estória não me deixou legal não. O pessoal do movimento anarcopunk tá querendo ver o sangue dos carecas que fizeram isso. Não vai acabar bem não.

Vamu Matá!!! Vamu Matá!!!

Já morei em Manaus e no ABC paulista. Já morei em Osasco, "nas paradas" do companheiro Jorge. Na infância vi os rastros da guerra na Europa. Já estive e vi. Mas não me acostumo.
Não me acostumo com esta coisa do extermínio. Essa sanha assassina. Eu já escrevi uma vez que um presidente da república, por exemplo, é um genocida pelo que deixou de fazer. Mas aqui é diferente: extermínio usando as próprias mãos e uma marreta.
Não pintou o socialismo, tomem os primeiros sinais...da barbárie.

19.8.04

Muito prazer, ilou entrando na roda...

Por isso o nome do treco é Utopia...Além da fome, não trepar legal é também uma lástima. Mais do que isso: é um problema social. E acomete a ricos e pobres, embora a gente intua que a falta de grana tire mais o sono do que o seu excesso. O final do comentário da Jane ao meu poema lembrou meus idos de adolescente no final da década de 70, onde o legal era fazer poemas/letras engajadas, como faziam o Chico e Vandré, que eram cultuados. Eu gostava do Vinícius e a minha poesia de vez em quando levava um sacolejo de alguém "engajado". A palavra que foi criada, logo depois, para aquilo que não cabia no tal engajamento era "desbunde". Lembram disso? Gabeira foi visto de sunga de crochê na praia: desbundou!Aliás, esse fenômeno é mais antigo. W. Reich foi expulso do partido comunista, que achava suas idéias burguesas; ao mesmo tempo, era perseguido e acusado de ser comunista pelo sistema.Ele falava da importância de uma vida sexual saudável para os jovens adolescentes comunistas, ao mesmo tempo em que denunciava a moral sexual burguesa...Claro que não dá pra aceitar cocô de artista emoldurado como obra de arte, mas é importante não criar camisas de força com regras e ideologias. E ainda valeria lembrar os sentidos amplos das palavras "tesão" e "gozo", ambas transcendendo o contexto sexual. Tesão = garra, disposição; gozo = satisfação, prazer...


16.8.04

Samarone e o Brasil

Pra quem nâo sabe, Samarone Lima escreve no Jornal do Comércio do Recife. No dia 11 de agosto publicou um artigo intitulado Aprendendo a Equilibrar a Vida, em que conta sua experiência num acampamento de sem-terra perto de Serra Talhada, chamado Poço Serrote.
O relato de Samarone resume a relação do burguês urbano com o país em que vivem os sem-terra. Ele é simpático à causa. Descreve quase com ternura a labuta e as agruras de um senhor de 73 anos, de uma mãe e de sua filhinha. Conta a história do roubo de uma bomba que irrigava a horta das 54 famílias, diz que teve o impulso de dar os 143 reais que custariam comprar uma bomba nova, resistiu, nos diz, e achou que fez bem: o grupo cresceu encontrando sua própria solução.
Não estou aqui para espinafrar Samarone. Ele não é um reacionário. Mas acho importante falar deste olhar condescendente. Desta quase ternura, desta infantilização e senilização (olha-se para a criança terna e para o velho desbrigado). Até mesmo a mulher é vista desta perspectiva de desamparo. São todos frágeis, são coitados, estão ali perdidos naquele mundo de deus.
Eu passo muito tempo nos acampamentos. Nos acampamentos há disciplina, empenho, seriedade, e também há safadeza, sacanagem. Lá dentro tem gente - sem adjetivos. E, cá pra fora, pra esse mundo que lê o JC e vê a Globo, essa gente mete medo: essa gente desabrigada por toda esta outra gente (a burguesia) mete os peitos, invade, pega na foice e peita o jagunço de carabina. Dizer que são desabrigados é negar o caráter intrinsecamente revolucionário de seu movimento, e fazer parecer que esta burguesia os teme apenas por ignorância.
Esta burguesia teme os sem-terra porque eles significam a sua destruição. Ou, no mínimo, a destruição deste sistema de privilégio que vivemos desde as capitanias hereditárias.

14.8.04

...que a Poesia nos salve a todos

Como pudemos ver nos últimos posts deste blogue, nem sempre concordamos. O consenso
é difícil
e nem sempre desejável.
É bom ver nosso "faxineiro" trazer,
além das imagens,
poesia pra nosso cantinho.
É bom respirar o ar do lirismo e do sonho.
Deixar que a matéria se dissolva no ar.
Um continente em que podemos nos encontrar.
E consentir.

13.8.04

Qual É A Do Faxineiro

Mais de um membro deste Triboblog já se referiu a mim como faxineiro. Um rápido esclarecimento: como faxineiro limpo muito pouco, quase nada. Às vezes até incluo coisas: um título, umas vírgulas, uma ou outra correção de gramática. As ilustrações, também sou eu que incluo. Tô mais pra zelador.
Como já fiz a fama de faxineiro, faxineiro fico.
Me permito vez em quando - como agora - inserir um poema. Que ninguém é de ferro, e nem só de espanador vive o homem.

UTOPIA

Nenhuma bala perdida
contudo, nenhum dente cariado
Revolver, somente as lembranças e a terra
depois, plantar a semente
colher e comer

Fica proibido matar
a não ser a curiosidade
a saudade
a sede
e a bola no pé

Nem pistola
nem pistolão

Pra entrar no céu
gozo e tesão

Ilou

10.8.04

“BENÇA, MÃE.”

Socorro! Sei lidar com quarentonas e suas carências. Enfrento amor sem guardanapo, mulher que não abre a porta do carro... Nunca precisei de gentilezas. Dispenso flores e presentes. Consigo administrar mentirosas, galinhas e comedoras profissionais. Acho charmosa uma chefe prepotente.
Nunca espero o telefonema do dia seguinte. Não aguardo ansiosamente um eu te amo.
Socorro! Sei lidar com meninas apressadas e pedidos de casamento. Elegantemente recuso alianças, presentes e viagens. Enfrento apaixonadas no primeiro sorriso. Recuso professoras envaidecidas.
Socorro! Dou sorrisos para o ‘gostosa’ do frentista, correspondo a olhar de sem-vergonha...entrego o telefone para a garota-insistente.
Socorro! Boicoto dedos inconvenientes, encaro deliciosamente megalomaníacas, casadas, solitárias, solteiras, namoradas e desquitadas, masoquistas.
“ BENÇA MÃE.”
Socorro! Não sei lidar com uma garota que pede a benção. Não enfrento sorriso gostoso e beijos no rosto.
Ando em dúvida: sou mulher de malandra ou medrosa?

8.8.04

Ciência e Sociedade


No começo, achei o "faxineiro" deste sítio, o tal Décio, preconceituoso e burguês. O perfil que ele fez para mim e para os outros fala mais dele do que de nós.
Agora acho que seu último comentário foi muito procedente. Não quero prolongar esta conversa porque sei que para a maioria dos membros deste blogue é mais estimulante falar de coisas pessoais. Mas o assunto é altamente político, e preciso tomar partido aqui.
As ciências humanas desenvolvem conceitos e definições, é a sua função. Precisam defini-los e mostrar sua utilidade para o estudo da sociedade. Mas cabe uma pergunta. Estes cientistas não desenvolvem um vocabulário muito hermético? Não se estimulam uns aos outros através desta linguagem cifrada? Não excluem com isso as pessoas que deveriam beneficiar-se deste conhecimento?
E uma direta pra você Pedro. Não é possível que você não saiba do que eu estou falando. Existe ou não existe esta sofisticação desnecessária e pedante?

5.8.04

É Dificil Mas É Bom


Construir uma linda relação é difícil mas é bom. Subir na grande montanha é difícil mas é bom. Ser sensível e corajosa é difícil mas é bom. Dizer o que sente é difícil mas é bom. Não engolir sapo é difícil mas é bom.
Entrar e sair de uma Universidade é difícil mas é bom. Expressar-se com precisão é difícil,
mas
é
bom.


Não Entendi

Só fui ver esta conversa sobre o texto do Pedro hoje. O Fred é essa moça na hora de expressar-se, sempre gentil e cuidadoso. Tava dizendo na real que o Pedro carca mesmo quando escreve no estilo alfarrábios, não é?
A Martha também tem um pouco disso, e tá todo mundo certo quando diz que faz parte das diferenças, que é legal, e tal e coisa.
Mas acho bom deixar claro também que é chato. Não sei de coisa mais chata do que ler um texto e não entender.

O Branco do Jorge

Foi difícil comentar o teu post, Jorge, porque tua dificuldade é muito legítima. O estilo do Pedro não é fácil mesmo e ele está falando de temas muito complexos. Então nesta estória não tem certo e errado, tem o que você mesmo pontuou: as diferenças entre nós.
De repente é legal pro Pedro também saber que às vezes os membros do seu próprio blog não sacam o que ele queria dizer.

4.8.04

o branco que me deu

Acho bom e a Pati já falou muito sobre como é legal a gente ser tão diferente uns dos outros mas olha este post do Pedro aí embaixo me deu um branco danado. No fim entendi que ele quer falar que a gente fica mais forte juntos e que é essa a esperança de mudança, acho que é nisso que a gente do Movimento Punk também acredita.
Mas as vezes eu não sei se sou eu que sou muito ignorante ou se o pedro que escreve meio enrolado. Afora esta parte eu não entendi quase nada, também não leio a folha que é muit cara.
Achei até que deu um branco porque ninguém postou nada ontem...

2.8.04

O Som da Música

Não soa tão bem em português: the sound of music é melhor. Mas é isso que é: o som que nos chega da música. Pra quem emite - como eu - é música. Está codificada, sei o autor, o que sinto e o que espero que o ouvinte sinta. Para quem ouve, é som: estranheza inicial, provocação ou livre-associação. Este ouvinte recebe esta matéria bruta que é tão delicada, e ao entrar em contato com ela, dá-lhe sentido. Faz dela experiência pessoal e íntima, converte-a (como naqueles antigos conversores de 110 pra 220 volts) em matéria emocional e sensorial própria, impossível de ser compratilhada com quem quer que seja.
Este fim de semana, toquei e fui tocado. Emitente e ouvinte. Jazz, blues, choro. Agora, está tudo aqui dentro.

1.8.04

Fukuyama e os Nós Outros

Domingo é dia de Caderno +, na Folha de São Paulo. O de hoje traz uma crítica ácida deste tal Fukuyama - o sujeito que disse que, com a evolução do capitalismo, a história havia acabado. Esta sumidade cuida de detratar, sem muitos argumentos, a tese de Hart e Negri, que defendem a necessidade de empreender uma mudança conceitual, inserindo um protagonista que eles chamam de multidão.
A multidão deles não é a turba que nos vem à mente; é um conjunto sim, mas composto de múltiplas especificidades. Identidades, gostos, culturas até. No fundo, defendem que a globalização deve aprofundar-se, não a das multinacionais e do FMI, mas a da troca entre os povos e os indivíduos. Trazem um novo papel - de novo a palavra protagonista - para o indivíduo, dispensam a tradicional defesa nacionalista da cultura e dos produtos para abraçar um novo ideal de troca, de integração. Eu adicionaria: de integração emocional também.
Em outros termos, não é outra coisa que se faz nestes blogues. Permitir que nós - são paulo, rio, recife, porto alegre - possamos discutir e nos gostar (e, por conseguinte, desgostarmo-nos). Bem ao gosto de Hard/Negri. Uma rede, mais uma entre tantas que podemos criar para sustentar uma perspectiva mais humana e menos monetarista para nosso futuro.