20.2.05

Orégano e Eu

De calcinha, regata branca, Edith Piath no toca-dicos, constato: SOU A MENINA QUE MAIS CONSOME ORÉGANO DESTE PLANETA.
Estar sozinha, traz à tona muitas descobertas: pergunto e exijo resposta das paredes, consumo leite desnatado à beça, na minha geladeira não falta soja, o chão merece pano úmido e não tolero a tampa da privada aberta.
Um pouco mais profundo?
Ok: arrumo a cama diariamente - jeito leve de manter a sensação de que tem alguém cuidando de mim.
Hora do jantar? Coloco à mesa: toalha, prato, talher disposto corretamente, descanso para pratos quentes, salada e tempero à esquerda. Jantei com Lenine, Leila Pinheiro e ainda ontem, recebi nobremente a visita daquele casal do Jornal Nacional.
Fiz amigos, bons amigos, aliás. Severino arruma meu fogão e sempre sugere um casamento, urgente - viver sozinha é muito triste dona e as noites ficam grandes! Herculano, zelador do prédio, responsável pelo boa noite e bom dia - diariamente recebidos com um sorriso. Garoto japonês com seu diálogo climático: Está frio hoje, hein?
O colchão fica na sala, aberto - dá a sensação de que ali, no cômodo ao lado, quem sabe...esbarre nesse ou naquela.
Danço pelada, canto baixinho, coloco o caderno no chão, compro flores, questiono a porra da administração municipal, instalo o computador, torço a meia branca... Constato: ando emocionalmente masturbada.
Não entra ninguém, não empresto as chaves, não espero companhia - coloco o colchão na sala, e me faço visitas constantes. Senta, entra, fica à vontade. Às vezes consigo, noutras tenho a sensação que jamais serei capaz de preencher um quarto/sala.
Simplesmente, porque tem dias em que não me basto...