16.4.10

O que há de novo no Livro da Tribo 2011/2012

Concluímos a pesquisa com os internautas de estampas e modelos para a próxima edição. As novidades:
* vamos ter o Livro da Tribo nos dois tamanhos. O de bolsa, igual ao produzido este ano, com elástico prendendo a capa no modelo tradicional e metalizado. E atendendo a pedidos,  o formato antigo (14X21 cms), com mais páginas e (sim!) com a bolsa plástica para colocar papéis no começo e (pois é!) o índice telefônico no formato antigo ao final;
* serão incluídas capas em tecido que não usam a técnica decoupage. As novas técnicas são o tai-dai e o marmorizado (veja abaixo)


Capa tai-dai no tamanho antigo (maior)

A marmorizada no formato bolsa

* as LEE (modelo tradicional) terão novidades em seu acabamento. Algumas passam a ser foscas com uma área da estampa brilhante, outras terão uma textura sutil sobre partes do desenho. Achamos que ficarão bem originais - e lindas!
Obrigado a todos que nos ajudaram a definir estas estampas respondendo às pesquisas.

Alea jacta est. Ou, como dizíamos, "a jaca está lançada".

24.3.10

Ajude uma pobre capa...

Saíram os primeiros resultados da pesquisa de capas feita via internet. Os resultados são sempre uma surpresa para nós – embora a gente goste de todas, tem sempre algumas lindas que ficam para trás na lista da preferência das leitoras.

Esta pobre capa, por exemplo, teve míseros 17 votinhos



Já a campeã, veja só, faturou 58 votos

Então ajude-nos a tirar esta dúvida: será que o tamanho pequeno das imagens atrapalha as capas mais delicadas? Comente abaixo se você prefere a nossa sutil capa indiana com reflexos dourados (estas manchas pretas que aparecem na imagem) ou se você, tudo bem, vá lá, gostou mais realmente das singelas borboletas com fundo amarelo...

23.2.10

O QUE DIZ O LEITOR...

Para quantificar o que o leitor pensa das mudanças no Livro da Tribo, fizemos uma pesquisa respondida por 180 pessoas – 90 que compraram na loja virtual e 90 que constavam de nosso cadastro. Um sinal de consistência foi que os percentuais de respostas não variaram muito entre as duas pesquisas.
As respostas mais significativas foram:
- 60% das pessoas acharam o novo formato bom ou ótimo. Outras 21% acharam médio. Ruim (12%) e péssimo (7%) foram escolhas de 19% dos consultados.
- 30% das pessoas prefere o livro no formato antigo, e outros 30%, no novo (menor). 40% dos leitores gostariam de ver os dois formatos.
- metade dos leitores sentiu muita falta da área para telefones. Um quarto sentiu falta mas achou melhor o livro mais leve, e um quarto não sentiu falta alguma.
- quanto aos sábados e domingos juntos, 70% das pessoas não considerou a mudança ruim (metade delas sentiu falta mas gostou do livro com menos páginas, a outra metade acho melhor assim).

Daí, como a voz do leitor não é a voz de Deus – mas quase – a Tribo decidiu, para esta edição de 2010:
• vamos fazer os dois formatos, grande e pequeno. O grande será como sempre foi, com a bolsa plástica, o índice telefônico, sábados e domingos separados, etc.
• no formato pequeno, vamos incluir um índice telefônico reduzido. Várias pessoas indicaram que era importante este espaço, mesmo que menor.
• como já foi postado aqui, a separação dos sábados e domingos levaria a espiral a aumentar de tamanho, comprometendo a portabilidade do LT menor. Então esta vamos ficar devendo.

Bom, este é o plano. Agora vamos fazer contas, vamos ver se dá, faremos os testes de produção – será que o livro menor fica folheável com mais páginas? – e logo mais partimos para a pesquisa de estampas de capa.
Em resumo, 2010 está em curso. Nosso obrigadão a todo mundo que ajudou a definir este norte.

9.2.10

Um alerta e uma pergunta

Intrigantes e controversas, as teorias de James Lovelock são um alerta importante pra nossa civilização. Neste texto escrito pela jornalista Amália Safatle, o cientista alerta para a forma atenuante com que estamos lidando com o problema das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. Fica uma questão exposta pela jornalista: será mesmo necessário utilizarmos a energia nuclear? E, cá entre nós, voltamos à constatação mais do que óbvia: sem questionar e reverter os níveis de consumo da sociedade atual, as energias renováveis talvez não dêem conta mesmo. Ou seja, não temos saída: temos que repensar se necessitamos consumir tanto - um assunto que Lovelock pouco aborda.

8.2.10

cosméticos "verdes"

O maior órgão de nosso corpo é a pele, e o que nela passamos é absorvido tal qual o que ingerimos pela boca. Sônia Hirsch, psicóloga e escritora com um trabalho incrível na área da alimentação, diz que só devemos passar na pele o que podemos comer. Foi ela que me apresentou um blog muito interessante que trata, entre outros temas, deste assunto: o "MENINA DO DEDO VERDE". Sem modismos com relação aos chamados "cosméticos naturais" ela tem informações sérias sobre isso e muito mais.
E não deixe de dar uma olhada no blog da Sônia: candidíases e outras cositas más, com muita informação importante e um jeito de escrever que é uma delícia!

5.2.10

Dica do Gaston

Reproduzo abaixo mail do Gaston com um link muito legal.

Picasso é, para mim, o maior gênio da pintura. O primeiro e único até hoje que entendeu a arte de pintar, de criar e não apenas reproduzir. Picasso não copia: cria, interpreta, usando seus pincéis.



Sua influência é devastadora. Todos os que pintam hoje sonham em não imitá-lo.


Un adendo histórico: Picasso pintou o horror à guera e à desiguldade que o autoristarismo impõe. O mundo inteiro deu as costas aos republicanos que lutavam a favor de um governo legítimo. Picasso nunca deu o nome de Guernica a sua obra; ele generalizou o masacre que vivemos. A Espanha monárquica já estaba "fora" de Europa e o franquismo a afundou por muitos anos mais.


Para mim Guernica provoca indignação, pois não foram só cavalos e touros os despedaçados: foram Lorca, Hernández, Picasso, Machado y muchos más.

Redescubra Guernica tridimensionalmente clicando aqui.

A ASSINATURA ESTÁ NO AR!

Trabalhamos muito, mas compensou: já se pode adquirir no site a assinatura anual. Não vou detalhar aqui as vantagens e as coisas bacanas, porque está tudo lá: aqui você tem uma amostra de como fica um computador com a área de trabalho personalizada; e aqui você obtém mais informações sobre tudo o mais que a assinatura dá direito.


Agora as pessoas que já fizeram compras na loja virtual (e que ortanto já têm login e senha registrados) podem, depois de preencher o cadastro, prosseguir diretamente para a loja onde se faz o pagamento

Agora, uma informação de bastidores: houve uma grande discussão sobre o preço da assinatura, e os R$ 14,90 resultantes foram uma decisão ousada. Com os 15% de desconto que a assinatura dá na loja virtual, quem compra uma bolsa grande recebe um desconto de 19,87. Ou seja, leva a assinatura de graça...

Além disso, se você pretende comprar o Livro da Tribo ano que vem, ser assinante significa um desconto de 4,40 na compra de uma agenda modelo LDC, pois o período de validade dela é de 12 meses – você teria até fevereiro de 2011 para comprar com desconto na loja virtual.

Ou seja: como eles dizem aqui no interiror de SP, é “uma boiada”...

1.2.10

Por Partes... Parte II

Martha, amiga: já expliquei aqui porque o Livro da Tribo tinha que ser menor. Mas faltou falar sobre o índice telefônico e os sábados/domingos.


Como eu dizia naquele post, as pessoas queriam uma espiral menor (e que não quebrasse!) e queriam um livro mais leve e portátil. Para ser mais leve mesmo, precisávamos diminuir a quantidade de páginas. Já pensou o enrosco? O formato agenda impõe a quantidade de páginas, né? Uma pra cada dia...

Além do mais, para o novo espiral de metal (melhor que o antigo, de plástico) não ficar maior que a espessura do livro (viu como está alinhadinho?), não podíamos passar de 350 páginas. Mais que isso e a folheabilidade* ficava comprometida.

Testamos tudo. Primeiro tiramos parte da entrada em couché , ai, que dó. Não era suficiente. No final, concluímos que o que dava pra tirar sem descaracterizar o LT eram os mencionados telefones e sábados/domingos.

De qqr forma, nós na Tribo conversamos muito nos últimos dias sobre estas mudanças. Vamos fazer uma pesquisa com vocês leitores pra saber em que proporção as mudanças incomodaram ou agradaram – e quais, isto vai nos dar norte. Era preciso mudar pra depois assistir a este filme.



Não vamos definir nossa ideologia ou nosso gosto literário (em suma, o conteúdo do LT) através de pesquisa. Mas o formato é uma questão de conveniência, certo?


Do amigo,

Faxineiro


*se é que isto existe

23.1.10

Vá e veja

...é o titulo de um filme arretado sobre a II Grande Guerra. E o link abaixo é um depoimento cristalino sobre o que a guerra sempre é.
Faxineiro, era pra postar o que a gente encontrou de bacana na net, era não?

http://www.youtube.com/watch?v=SGsXRTZlGxs&feature=player_embedded

22.1.10

Por partes...

Martha, querida,

Entendo a sua indignação. Imaginamos que algumas pessoas iam curtir as mudanças mais que outras, mas não sabíamos que ia ter gente injuriada. Foram poucas as mensagens como a sua, na linha "como vcs puderam fazer isso?!", mas você não está sozinha.
Vou começar pelo começo. Há anos o Thomas, um cara loiro e grande que vende a agenda e diz que sou eu nos bares de sampa, vem pedindo um Livro da Tribo (LT) menor. Eu e Regina sempre fomos contra: primeiro porque fazer um trabalho visual decente com ilustrações e texto em tamanho reduzido não é fácil. Segundo porque acreditávamos mesmo que a maioria dos leitores prefere o tamanho clássico dos livros, que a agenda tinha até ano passado. Resistimos o quanto deu, até que surgiu a oportunidade de fazermos uma pesquisa pela web com 800 leitore(a)s do LT. Uma das perguntas era: o que vc mudaria na agenda?
Primeiro apareceram os incômodos: a espiral era grande demais. O LT era pesado demais. O formato era incômodo pra quem queria carregar na bolsa. E o golpe de misericórdia, a quantificação da coisa: 70% dos leitores queria um LT menor, mais "portátil".
Acho que já respondi à tua primeira pergunta: não, não achamos que quem nos lê escreve pouco - na verdade, descobrimos que em sua maioria são pessoas que, por qqr razão, querem carregar o LT consigo.
Vou parando por aqui. Sobre o índice telefônico e os sábados/domingos eu esclareço em um próximo post, senão isso aqui vai virar uma novela.
Beijos,
Faxineiro

21.1.10

O QUE VCS FIZERAM COM A AGENDA?


Faxineiro, meu querido,
Nos conhecemos faz tempo. Privamos deste espaço delicioso, compartilhamos momentos saborosos com nossos companheiros de texto. Mas agora vou me permitir ser indelicada: vocês da Tribo estão loucos? Como fizeram isso com o nosso querido companheiro de viagem? Primeiro, encolheram o tamanho, que já não era enorme. Depois, removeram o espaço para telefones (imagina, uma agenda sem telefones!). E, para liquidar, juntaram o sábado e o domingo em um só espaço. Ah, tenha dó!
Então concluo que os distintos editores acham que nós leitores a) escrevemos pouco e não precisamos de espaço, b) não conhecemos ninguém e não precisamos anotar seus telefones e c) confinamos nossa vida aos dias úteis.
Aguardo os seus esclarecimentos.
Da amiga (indignada),
Martha

A ASSINATURA SUBIU NO TELHADO...(mas já volta)

            Credo, tudo aqui sobe no telhado... A assinatura do site, que deveria ter começado a funcionar no começo de dezembro, deu creca de novo. Ficaram lindas as imagens de fundo pro desktop; o programa que as troca a intervalos regulares também tá redondinho. Tudo junto, permitem que a cada dia (ou hora, se vc quiser) o papel de parede de seu computador mude com uma imagem e texto, como uma página do Livro da Tribo.
            Mas a zica é brava. A assinatura, que é paga, implica em um cadastro e uma senha, certo? Mas e a galera que já comprou na loja virtual, que já tem senha e cadastro? Deveriam colocar o login e senha e comprar, certo? Errado.
            Se você, que já comprou algo na lj virtual, tentar comprar a assinatura, iria receber uma mensagem dizendo que “o seu cadastro já existe”. E pronto, acabou, não teria como continuar. Ô, porre. É duro não ser programador...
            Estamos (quer dizer, a galera contratada pra fazer o babado) corrigindo esta. Ia ser o fim do mundo impedir que justamente quem já comprou através do site tenha acesso à assinatura, né? A previsão agora é pra esta sexta, dia 22. Mas Alá sabe que o maravilhoso mundo da informática tem os seus desígnios...

O TRIBOBLOG ESTÁ DE VOLTA!


          Se você nem sabia que ele existiu, um breve histórico: o Triboblog surgiu a partir de um grupo de amigos, alguns dos quais leitores da Tribo, que já trocavam posts entre si. Como os temas abordados por eles interessavam a todos da Editora, incorporamos um moderador (o Faxineiro, Décio) e entramos na blogosfera.
            Este modesto veículo (?) teve uma vida conturbada. Apesar de lindos textos e reflexões maneiras sobre o cotidiano, a discussão dos participantes em torno da contraposição entre o governo Lula e o de FHC acabou melando um pouco a relação entre eles. Nada que você não vá encontrar na blogosfera hoje: o velho FlaXFlu entre PSDB e PT. Por esta e por outras esta discussão – incluindo a próxima rodada do pastelão, Dilma versus Serra – tá banida deste blog. Vamos falar de Brasil sim, mas aqui não é palco pra defesa de plataformas eleitorais.
            Desde 2008 temos sentido muita falta de um canal de troca com os leitores que nos permita falar (e ouvir) diretamente sobre os problemas, ideias e iniciativas da Tribo. Então o Triboblog mudou nisso: nosso foco agora são os bastidores, caminhos, dúvidas do processo de feitura do Livro da Tribo. Material não falta: a mudança do site, o novo formato, as pessoas que adoraram e odiaram as novidades... Como isso aqui não é blog corporativo, tudo o que os toca e emociona também vai ao ar. Vamos postar links, textos, imagens, tudo o que a gente acha que vale um tempo pra conhecer. Nossos antigos colaboradores ainda são parceiros importantes, mas este blog passa a ser centrado nesta aventura específica: o caminho da Tribo até os leitores, incluindo aí nossas frustrações, alegrias e descobertas.

            Entre, aproveite e opine. Estamos aqui pra isso.

Faxineiro, pela Tribo

9.12.05

Meninas, parem! (Raquel, continue!)

Eu não entro neste bate boca,
e pra mim a beleza continua por toda parte.
É ter olhos e alma pra vê-la.
Aqui em frente tem um parquinho,
e Julinho – 3 anos –
continua descobrindo o mundo.
Nem aí pra crise.
Eu também.
É isso.
Beleza, só pra quem veste olhos (e, pra música, ouvidos) de criança.
Fred

Retomando

É sempre um prazer ler a Raquel. Quando perguntei ao faxineiro quem era, ele me respondeu que é a campeã dos textos da Tribo: ninguém recebe mais comentários do que ela.

Já Martha muda de assunto, mas não deixa de aperrear. Eu não sou cega, vejo tudo direitinho. Pra mim podridão é esta conspiração conservadora contra as forças progressistas.
Lamento também a ausência do Livro da Tribo neste ano. Espero que nós leitores continuemos a contribuir não só com beleza, mas com a crítica e a lucidez necessárias em tempos tão turbulentos.

Jane

6.12.05

Chega Disso

Não falo mais de corrupção e de governo. Meu negócio é beleza. Cansei de me desgastar com as pessoas queridas, que insistem em não ver a podridão.
Então, deixemos a podridão de lado. O Faxineiro deve ter avisado que a Tribo está fora do ar este ano, certo? Não gostei. O Brasil já está feio o suficiente, imagine então sem poesia.
Portanto convido os amigos amantes das belas letras a produzirem e enviarem seu material pro pessoal da Editora. Caprichem, enviem logo.
Estamos precisando desesperadamente de luz e de alegria.
Martha



chega de feiura

22.11.05

Sumimos (mas não subimos no telhado...)

Como diligente faxineiro, tenho que me desculpar pela bagunça. Deixei cair a peteca do meu serviço aqui. Peguei uma empreita brava e fiquei zoado nestes últimos meses.
Sabe como é, faxineiro é pau pra toda obra. De formas que tive que atender um cliente VIP, a Tribo, que tava precisando de uma geral urgente urgentíssima (saiba mais aqui).
Não tá pronta, mas tá encaminhada.
Pra ser justo, é preciso dizer que os acontecimentos do País tb não ajudaram: isto de valerioduto e crise política abriu uma guerra entre nossos colaboradores. Gente fina, opiniões firmes.
Mas acho que concordamos numa coisa: é preciso manter o vento ventando, os rios correndo na direção correta, o giro da terra em seu eixo. E os posts neste blog.

Donde, estamos de volta.
Beijabrações,

30.1.05

Tudo É Música (Que É Tudo)

Fui ao Pantanal e na volta encontro esse delicioso debate sobre sedução, detonado pela música “Por que que eu não pensei nisso antes”, do Itamar Assumpção. Pedro elogia a sedução; Jane desconfia dela; Pati fala do masculino e do feminino.
Pois estava tudo lá, na música que inspirou Pedro ao primeiro post. Como ele ressaltou, sedução é convencer sem brutalidade, usando criatividade e sensualidade. Conquistar o coração do outro:

Pensei em seduzir você, com algo bem provocante
gingando num bambolê, me equilibrando em barbante (...)

bater no peito e dizer, num brado bem retumbante:
“Só penso em você!” – Por que que eu não pensei nisso antes?

Mas tem a sedução da matéria. Tem aquilo que a Jane critica:

Pensei em seduzir você fazendo ar de importante
Te oferecendo um apê, um drink, um refrigerante (...)

dançando numa tevê, coberto por diamantes
num carrão zero – porque que eu não pensei nisso antes...
E, por fim, a coisa do masculino buscando o feminino, da Pati:

Pensei em seduzir você domesticando elefantes
cuidando bem de bebês, doando-me pra transplantes

Além de fazer crochê, pensei dar vôo rasante
ir ao cinema, escrever, reinar neste caos reinante
por cargas d’água, porque que eu não pensei nisso antes?

É por isso que a música é maior. Porque não fraciona, reúne. O desejo de sedução da música mistura tudo, como acontece em nós, nesta bagunça da nossa emoção. Com muito humor, ainda por cima:

Pensei em seduzir você mostrando-me confiante
plantando um pé de ipê, ecólogo ambulante
limpando o rio Tietê, e os outros rios restantes
ser carioca – e baiano! – porque que eu não pensei nisso antes?

Pronto. Um tratado sobre o pior e melhor da sedução. Poético e, ainda por cima, dançável.
(disco “Pretobrás”, de Itamar Assumpção)

25.1.05

Sedução e Consumo

Pedro tem este jeitinho acadêmico de dizer as coisas como se não houvesse uma ideologia por trás. Maneirinha professoral, coisinha que parece estar falando o óbvio.
Mas não me digue que sedução não é diferente de força, pelo menos não hoje. Vejo a criançada seduzida por música estrangeira, vejo adolescentes seduzidos por tênis importados, vejo homens feitos seduzidos por carros reluzentes. Vejo a sedução da mídia, dos políticos que imitam nossos pais, vejo uma pá de mentiras bem arrumadinhas e reluzentes, que de tão bonitas ficam mais apetitosas que a verdade.
É só ligar a TV na Globo e se conclui que sedução é poder, no estilo mais tradicional possível – só que apresentada com um jeito de arte, com música, com psicologia manipulativa. A sedução do corpo perfeito, da mulata rebolante, do luxo.
Afe, eu tô preferindo o porrete que pelo menos é mais claro.

15.1.05

Martha e a Realidade Partidária

Martha, minha querida: sou só uma pessoa incrédula com a história que se escreve – ela é sempre a de quem ganhou a guerra.
Hoje lembrando uma de minhas viagens pelo Amazonas, quando cheguei aos países andinos e vi uma profunda aversão a tudo que é espanhol, me perguntava se eles seriam mais felizes se tivessem sido colonizados pelos saxões. Quando vejo um Canadá, Estados Unidos ou Austrália nessa prosperidade que hoje tomamos por modelo, imagino que se os colonizadores latinos tivessem seguido seu método de eliminação total dos aborígenes não teriam se elevado a potências mundiais, usando seus poucos nativos que sobram para o que em sua opinião servem: música, esporte e guerra.
Deve ser bom olhar das janelas de imensos bancos, com orgulho, estas minorias negras e hispânicas hastear a bandeira do colonizador festejando os êxitos militares, esportivos ou musicais que eles colonizadores atribuem a si próprios. Bandeiras de pátrias que se apresentam brancas e de olhos azuis, bandeiras impostas como símbolo destas pátrias.
Lembro-me de Lima, cidade construída séculos antes da chegada do colonizador, com a preocupação de sempre haver sombra em suas ruas para a caminhada. Não há o menor crédito para os que em épocas em que não havia ar condicionado projetaram e construíram esta maravilha, apenas ruas ruinosas e descuidadas.
Digo tudo isso porque a realidade não tem lado escuro nem claro, é uma só, o que não impede cada um de escolher o que quer ver. A beleza nos mantém vivos. Mas eu, por meu lado, quero contar o que vi e senti, quero ouvir outras opiniões – como a sua – e confesso que adoro uma polêmica. Prefiro-a à toda unanimidade burra.